Frigoríficos pressionam queda nos preços do boi gordo
O mercado físico do boi gordo registrou menor ritmo de negócios no início da semana, com frigoríficos intensificando as tentativas de comprar animais abaixo das referências vigentes após parte dos pecuaristas ceder nas negociações. Segundo o consultor Eberti Aguiar, da Hegde Agro Consultoria, indústrias menores trabalham com escalas próximas de sete dias, enquanto grandes plantas estão programadas até o final de agosto, garantindo maior conforto para pressionar os preços.
O esfriamento do mercado reflete a retração da demanda chinesa e a expectativa de maior oferta de animais confinados. Dados do Imea indicam que Mato Grosso deve confinar 1,33 milhão de bovinos em 2026, alta de 43,41% sobre 2025, com 80,74% desses animais destinados ao abate no segundo semestre e pico previsto para novembro. Esse volume adicional tende a ampliar o poder de compra da indústria, sobretudo entre setembro e outubro, período que coincide com menor presença da China após o preenchimento da cota de importação.
Por outro lado, a oferta futura é atenuada pela mudança no ciclo pecuário. Em julho, o abate de fêmeas em Mato Grosso caiu 17,11% em relação ao mesmo mês de 2025, indicando avanço na retenção de matrizes que deve compensar parcialmente a entrada dos animais confinados e evitar pressões mais intensas sobre as cotações da arroba.
No horizonte, o Imea avalia que as indústrias poderão retomar as compras para a China na segunda metade de outubro para atender à cota de 2027, coincidindo com o pico de saídas dos confinamentos em novembro e a melhora sazonal do consumo doméstico de fim de ano. No curto prazo, contudo, o setor convive com negociações lentas e escalas confortáveis.
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